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A Didaquê ou Ensino dos Doze Apóstolos


A "Didaquê" é como um antiquíssimo manual de religião. Julga-se ter sido redigida entre os anos 90 e 100, na Síria, na Palestina ou em Antioquia . Traz no título o nome dos apóstolos, mas não pretende ser de autoria de algum deles. O texto divide-se em 3 partes: a primeira é um tratado de ética (capítulos: 1 a 6); segunda (capítulos 7 a 10) é uma descrição de uma ordem de culto, e a terceira (capítulos 10 a 15) refere-se a uma instrução para a vida comunitária. Os antigos Pais da Igreja mencionaram muitas vezes a Didaquê. Seu texto, porém, parecia perdido até que em 1883 foi descoberto um manuscrito grego, e logo após foram descobertos ainda outros fragmentos (em copta, grego e latim). (Por Cirilo Folch Gomes, Antologia dos Santos Padres, São Paulo: Paulinas, 1973, p.26).
 
O fragmento aqui se refere aos capítulos 1 e 5, que falam respectivamente sobre o caminho da vida e o caminho da morte:


CAPÍTULO I

1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2 Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3 Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4 Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5 Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.
6 Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.

CAPÍTULO V

1 Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

2 Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.

Fragmento de http://www.monergismo.com/textos/credos/didaque.htm.

 

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